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23 de janeiro de 2010

Perguntas & Perguntas: Como vamos agir?




Eu fui uma criança “meio estranha”. Falo isso em comparação com as outras tantas crianças.
Não ficava gritando sem motivo ou correndo. Também não fazia muitas perguntas... Era como se eu já entendesse muitas coisas. Outras eu não entendia mas queria entender por mim mesma e algumas poucas coisas eu perguntava para alguém... Lembro por exemplo de quando vi absorventes e perguntei para minha mãe o que era e para que servia e ela me explicou que era basicamente uma fralda e que absorvia o ‘xixi’. Então pedi a ela que me desse um ou dois para usar a noite e talvez até durante o dia, assim evitava ir ao banheiro... É, é história meio bizarra.

Ao invés de perguntar para os outros, gostava mais de perguntar para mim mesma. Me perguntava se deus existia mesmo e como era. E se não existia, como estávamos aqui?
Perguntava-me também outras coisas, como é que eu aprendi a falar? Como as pessoas se entendem através dos sons que saem da boca? E as letras? Porque “A é A”? Por que azul é azul e não vermelho, aliás, da onde saiu isso? Azul? Como é que eu estou pensando nisso?
É... Talvez eu tenha sido uma garota estranha. Talvez eu tenha guardado as minhas perguntas para mim mesma porque não me sentia a vontade para expô-las ou talvez eu as guardasse porque assim eram melhores respondidas.

É interessante pensar nisso e em como eu lidaria com os meus filhos. Acho interessante pensar em como responder as coisas estando ou não no momento de respondê-las mesmo que, quando aquele momento chegar, não usemos nada do que anteriormente pensamos. Acho um bom exercício...

Como explicar de onde vem os bebês e da onde ele, seu filho, saiu? Inventar histórias como cegonhas é o mais adequado? Dizer que papai colocou sementinha na barriga da mamãe e ela foi crescendo igual uma melancia e depois saiu? E por onde a sementinha entrou? E por onde a melancia saiu?
Eu não perguntei, nem meus pais explicaram. Um dia eu entendi e é isso. Mas com quase todo mundo não é assim, né?

Sexualidade é algo complicado, mas que é fundamental trabalhar na criança. Não expor a verdade “nua e crua”, mas é importante. Mesmo quando ele tiver vinte anos não vai enxergar as coisas da mesma forma que você.

Talvez ele pergunte a você como é que os deuses existem e como você sabe disso. Talvez ele comente que o coleguinha disse que só existe um deus e que ele castiga quem faz o contrário. E o que vamos fazer?

Sai no quintal da minha casa para ver a noite e a lua. Em determinado momento a voz da minha vizinha falando e falando e impossível de não ouvir. Ela falava sobre Moisés para as crianças. Que ele ficou lá no deserto não sei quantos dias para pegar os mandamentos e nesse período o povo não queria mais saber do deus de Moisés e havia arranjado outro deus e que ele era assim e assado e que o deus de Moisés castigou aquelas pessoas por cultuarem outro deus e por aí a coisa foi indo... Deu vontade de meter na história, principalmente o fato de ficar sempre gritando tudo que quer inclusive a uma da manhã, mas eu não fiz.

Nossos filhos vão se deparar com este mundo. Talvez um dia descubram mais sobre cristianismo e quem sabe prefiram o monoteísmo, já pensaram nisso? Ou se tornem evangélicos... Como lidaríamos?
Acredito que muitos pagãos aqui foram cristãos um dia e decidiram optar pelo paganismo. Comigo foi assim.
Eu fui educada como católica e eu vi que tudo aquilo não batia com o que eu pensava e queria. Mas como seria o contrário?

É interessante pensar nas “perguntas básicas” que podem surgir ao longo do caminho e como lidaríamos com as coisas. Nos preparar para caso nossa educação pagã seja descartada, para caso sejamos surpreendidos com perguntas como o que é sexo, gay, entre tantas outras coisas pelas quais passamos um dia, mas como filhos.

16 de dezembro de 2007

La Befana



A lenda de La Befana teve um papel importante na imaginário de todas as crianças do mundo mediterrâneo.

Aqueles que desejam reviver os primeiros momentos mágicos do maravilhamento infantil e compreendem o imaginário e as origens desta figura extraordinária, devem ser preparados para empreender uma viagem longa que os leve através do tempo, às origens da história do ser humano. Nós descobriremos o que torna esta personagem tão misterioso e antiga, porque esta velha e pequena senhora é tão apreciada pelas crianças e continua a fascinar após séculos, e as faz esperar ainda sua chegada na sua noite.

É possível demonstrar historicamente com dados estatísticos, arqueológicos e antropológicos mediante traços antigos da civilização, como foi conservada nas tradições do mundo mediterrâneo e sobreviveu através do ideário das imagens e dos símbolos a respeito das figuras míticas, a imagem de La Befana.

Algumas imagens conectadas à figura do Befana são reveladas num contexto agrário primitivo. Quando os estábulos foram transformados em pousadas e teve início o culto ao folclore doméstico, momento em que foi estabelecida a existência de La Befana. Na cultura neolítica, as casas das vilas em Anatólia (Catal Huyuk) e outros lugares não tiveram nem janelas nem portas; a única entrada era através do telhado largo, horizontal. A casa tinha como única entrada uma escada que podia ser retirada em caso de perigo de invasão. La Befana chegou às pousadas pela chaminé.

A figura de La Befana e dos espíritos ancestrais é extremamente forte e Ela apresenta-se durante o seu dia festivo como uma grande ancestral mítica que retorna anualmente. Sua função principal é aquela de reafirmar a ligação entre a família e os antepassados com uma troca dos presentes.

As crianças recebem os presentes que simbolizam a perpetuação das tradições das civilizações arcaicas onde foi considerada como representante dos antepassados e a quem as oferendas eram destinadas. Às vezes a Befana recebe ofertas de alimentos.

Na dramatização popular na região de Toscana - Itália, e em outras regiões desse país, La Befana é uma figura mascarada que guia o cortejo dos participantes das suas festividades, os que recebem as oferendas das famílias que, em troca, recebem dela o presente da prosperidade.

Na tradição mítica, La Befana chega voando em uma vassoura. Isto confirma sua ligação com plantas e animais que na Antigüidade tiveram valores sacros como representantes ou símbolos de antepassados totêmicos e das divindades. Na mitologia, a casa, o lar é morada dos espíritos dos antepassados, daí que o vôo suponha uma função mágica e poderia ter um papel do evocação e de reconexão com os espíritos ancestrais.

Assim sendo, esta Senhora, recompensa as crianças que nela acreditam, e que fizeram por merecer ao longo do ano, com presentes, que hoje dia certamente diferem daqueles que outrora eram esperados por elas, as crianças, mas que guardam no seu ideário as mesmas lendas e expectativas de todas aquelas que as antecederam.

La Befana, então no mesmo dia conhecido como dia dos Reis Magos, para nós pagãos, chega em nossas casas, sendo o contra-ponto para a figura semelhante criada pela cultura moderna, o Papai Noel.

Que crianças e adultos sejam recompensados por Ela, com a realização dos seus desejos mais íntimos e que cultivemos junto a nossas crias a crença nessa velha Senhora que logo mais chegará às nossas casas.

Bênçãos Deles sempre,

Luciana Onofre

(Para saber mais sobre a génese da figura do Papai Noel visite: http://es.wikipedia.org/wiki/Pap%C3%A1_Noel)