A Blogagem Coletiva "Gentileza"
O que é ser gentil?
O primeiro passo aqui na Blogosfera para demostrar Gentileza, é parar, ter tempo para ler o que os demais escrevem, opinar, e fazer parte...
Muitos aqui esta semana vieram, leram e fizeram parte desta blogagem...
Todos de diversas crenças, culturas, mas todos também com o mesmo intuito: falar sobre este valor por aí perdido, a Senhora Gentileza.
Parar para ler, escrever e compartir com os demais suas ideologias foi para nós, aqui do Crianças Pagãs um presente.
E uma clara demostração do quão ampla é a acolhida para o resgate de valores que não possuem tempos, cores, credos ou idiomas...
Aqui nossa gratidão a cada um de vocês, que tiveram a Gentileza de pensar nela, de ler sobre ela, de escrever sobre ela.
- Semente Sagrada e Sr. Thot com seu texto-reflexão sobre Gentileza.
- Minha querida Lú no Adhara Luz Shakti com um texto que retrata sua fé, e sua forma de ser, de ver aos demais, e que sinceramente me faz sentir orgulho em contá-la entre minhas amigas pessoais...
- Mary do Presente da Deusa compartilhando a gentileza que vê e encontra no seu nicho familiar.
- Benzaten Saravasti com a veiculação em seu espaço do evento Dia Mundial pela Gentileza.
- Indras Witch fala da Gentileza parida pela Educação, aquela inata, aquela que nasce espontâneamente em cada ser, que se vê no outro refletido...
- Carol Flor, divulgando nossa Blogagem em seu espaço.
- O lindo blog Pacha Mama vendo a gentileza mediante os olhos do amor, do amor sem exclusões.
- Versos da Pri, que entende também como algo intrínseco o ser gentil...
- O Mundo de Fadinha, um espaço lindo, leve que também fez parte da nossa blogagem.
- Livia que serviu seu chá regado à Gentilezas!E a quem somos gratas pela divulgação.
- Leticia do Filhos Adotivos para quem a gentileza é algo simples, transposta em palavras que mudam a quem diz e recebe.
- Tere do Eu sou Assim, divulgando.
- O Cantinho Esotérico, também divulgando.
- Pelos Cotovelos e Cotovelinhos, propondo o ato da gentileza como fonte de felicidade!
- Mariana do Projeto Macieira, questionando a onde foi parar a gentileza, e relatando como a encontra felizmente no seu dia-a-dia.
- A Coruja Tricoteira, que mediante atos gentis teceu novas amizades.
- Mulheres Sarl, compartindo um texto onde a gentileza é esmiuçada em detalhes.
- Emanuel do Conversas Cartomânticas, que com um texto pra lá de inteligente insere a Gentileza dentro do universo das lâminas do Tarot.
- Paula, do outro lado mundo, com o Aprender sem Escola, para quem entender que todos estamos interconectados permite a geração da gentileza.
- Minha amiga de terras distantes, muito querida Rosana, do Mãe-mulher-humana que sinceramente dispensaria um texto, por ser ela uma pessoa gentil por natureza!
- Mamíferas onde a gentileza mora no respeito pelos nossos ciclos, sem pressas.
- Minha amada Kytanna, que sempre nós apoia, dá força e em fim, faz parte da minha jornada já a 1 década.
- Kel do Dea Matter, e também Crianças Pagãs, minha amiga-irmã divulgando.
Luciana Onofre
Blogagem coletiva pela Gentileza
Queridas pessoas, Crianças Pagãs pretende gerar uma blogagem coletiva sobre a "Gentileza" de forma sincera, simples e verdadeira.
Inspiradas no exemplo de vida e atitude de José Datrino, o Profeta Gentileza, decidimos levar em frente a idéia desta blogagem.
Inspiradas no exemplo de vida e atitude de José Datrino, o Profeta Gentileza, decidimos levar em frente a idéia desta blogagem.
As convido a somar nesse pequeno projeto.
Aproveitando a energia que o fim de ano traz de amor, doação e amizade.
Aproveitando a energia que o fim de ano traz de amor, doação e amizade.
Como fazer parte?
Divulgando a idéia da Blogagem Coletiva "Gentileza". Apoiando.
Blogando sobre o tema. Que é amplo e com mil leituras, cada ser humano encerra em si conceitos diversos quanto ao como compreende e apreende a Gentileza, indo do espiritual ao concreto.
O dia marcado para essa blogagem é o 13 de novembro, é uma boa data para congregar a Blogosfera em torno a um valor humano atemporal, necessário, ecumênico e sempre bem-vindo.
Por ser também dia mundial da Gentileza, Evento promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida, representante da World Kidness Movement.
Contamos com vocês, nossos leitores, seguidores e amigos.
Ao lado deste post encontrarão o código do button.
Deixe depois um comentário neste post afim de que possamos citar sua blogagem dia 13.
Crianças Pagãs
PS.: Para ler, saber mais sobre essa "rara" Gentileza visite o Semente Sagrada.
Pais de bem com a espiritualidade, filhos de bem com a vida
Grata sempre a ela, por ser essa pessoa aberta ao compartir.
Pais de bem com a espiritualidade, filhos de bem com a vida
:: Adília Belotti ::
A gente sabe tudo sobre educação de crianças, psicologia infantil, comportamento de adolescentes, não é? Está tudo ao alcance da mão. Basta um clique (literalmente) e um universo inacreditável de informações cai no nosso colo.
E lá ficamos nós, engolidos em perplexidade, perguntando: "Afinal, com tantos recursos, com tanta informação, por que a gente não acerta sempre? Por que temos essa sensação de que alguma coisa saiu errada?
Filmes como Kids (lembra desse?) ou como um outro que meu filho de 18 me fez assistir, "Réquiem" para um sonho, mostram crianças e jovens jogados em um mundo sempre muito escuro e do qual eles mal se dão conta, tão intoxicados pelas drogas e pelo escapismo mais brutal. Como foi que aqueles bebês risonhos cresceram para ficar assim? Onde foi que perdemos contato com eles?
Ninguém discute que somos todos bem-intencionadas criaturas que procuram dar o melhor para seus filhos. Então o que é que pode estar faltando? Para alguns estudiosos, a resposta é clara: no afã de prover os filhos com tanto conhecimento e tantos cursos, brinquedos, treinos, aparelhos, idiomas, os pais esqueceram de olhar para dentro de suas crianças e enxergá-las como verdadeiramente são: seres espirituais.
Nessa linha de pensamento, Mimi Doe, uma especialista em educação e autora de vários livros e de programas infantis não-violentos para a televisão, faz uma afirmação inspiradora: "A espiritualidade é a base a partir da qual nascem a auto-estima, os valores, a ética e a sensação de fazer parte de algo. É a espiritualidade que determina o sentido e o significado da vida". Bingo!
Outros estudiosos fazem eco. Spiritual Parenting (uma expressãozinha difícil de traduzir, mas que significaria algo como paternidade/maternidade espiritual), é uma idéia que abre muitas possibilidades e já aportou por essas nossas bandas, alguns textos publicados em português.
Peguei o livro de Mimi Doe para ler, confesso, com um pouco de desconfiança (detesto livros de fórmulas prontas, são um insulto para a nossa inteligência!).
Não fiquei nada decepcionada. Ao contrário, o livro é cheio de idéias para a gente resgatar o caráter sagrado dessa tarefa tão antiga que é criar filhos.
Houve um tempo em que nossos filhos eram nossa única garantia de imortalidade. Através deles, nos sentíamos projetados para o futuro, elos de uma cadeia sem fim. Os gestos repetidos, os ensinamentos, os exemplos, as histórias contadas, as receitas, as festas, as tradições, tudo era parte de um legado que transmitíamos às crianças, mas que, na verdade, não nos pertencia.
Os pais eram uma ponte entre o passado e o futuro. E criar filhos era transmitir a herança da espécie, da melhor forma possível, porque cada um dos nossos atos era apenas um movimento na grande dança do universo.
A proposta de Mimi é resgatar esse sentimento de que educar filhos pode ser, ainda hoje, um verdadeiro milagre. Não, não é nada esotérico, nem específico dessa ou daquela religião. Ao contrário, abrir um espaço para a espiritualidade na relação com as crianças é fazer coisas simples, como criar um ambiente agradável e receptivo na hora do jantar ou marcar um dia por mês para um "estar em família" diferente. Juntos, talvez você e ele se animem a aprender a meditar, a valorizar a bondade e a compaixão através das boas ações, a tirar da gaveta aquela idéia de participar de um projeto comunitário.
Uma outra idéia importante: deixar que nossos pequenos nos inspirem. Eles são naturalmente conectados com essa forma de espiritualidade. E se estivermos mais atentos, podemos aprender muito com a sua poderosa intuição.
Hugh Prather, um outro autor, confirma que essa é a primeira regra de ouro para quem quer se tornar um pai (ou mãe) mais espiritual: as crianças estão próximas de Deus e podem nos ajudar muito a encontrá-lo. Isso não quer dizer que elas não precisem de disciplina, de orientação ou de firmeza. Mas significa que ser pais não nos torna automaticamente sábios e que devemos ir com calma antes de achar que sabemos sempre o que é melhor para as crianças. Na verdade, nós apenas percorremos juntos a mesma estrada e fomos os escolhidos para a posição de guias não por sermos superiores, mas porque conhecemos melhor o mundo. Só por isso. Do ponto de vista de Deus, esse bebê que você segura com tanto cuidado, pode ser tão sábio quanto você, mesmo que seja sua a função de amamentá-lo e de cuidar dele até que ele possa fazer isso sozinho.
Vamos conversar mais sobre isso qualquer horinha, mas, por hoje, pincei algumas idéias do livro de Mimi Doe para compartilhar com você.
1. Deixe de lado os seus velhos programas de educação, os erros cometidos por seus pais, os "deveres" e "obrigações" que foram se infiltrando no seu jeito de educar. Você é você mesmo e seu filho é ele mesmo. Vocês dois foram reunidos por Deus por algum motivo. Acredite, você e seu pequeno foram, literalmente, feitos um para o outro.
2. Ensine seu filho a desenvolver a concentração no pensar. Use como exemplo uma lanterna ou um foco de luz cortando a escuridão. Os pensamentos dele são como esse raio de luz atravessando o universo, juntando e iluminando os seus desejos. Essa imagem vai ajudar seu filho a entender que nossos pensamentos podem provocar grandes mudanças na nossa vida.
3. Busque o maravilhoso fora do trivial. Celebre junto com seu filho os fatos admiráveis de cada dia. Invente rituais, motivos para celebrar, encha sua casa com música, dance, caminhe na chuva. Se faltarem idéias, tome emprestadas algumas fantasias de seu filho. Com certeza ele vai adorar compartilhar esses tesouros com você.
4. As palavras são importantes. Use-as com cuidado. Em geral, elas refletem nosso jeito de estar no mundo. Institua em sua casa a regra de não permitir rebaixamentos nem zombarias. O deboche é um meio seguro de arrasar o espírito.
5. Faça de cada dia um novo começo. Por pior que tenha sido o dia de hoje, amanhã é um novo dia e ninguém sabe ou pode garantir o que ele vai trazer. Dê de presente para seu filho um dia cheio de possibilidades, um dia sagrado. Um dia para ser saboreado minuto a minuto, intensamente.
Para saber mais:
10 princípios da paternidade espiritual, desenvolvendo a alma de seu filho, Mimi Doe com Marsha Walch, Editora Cultrix
Educar com amor, Hugh Prather, Edições Paulinas
Parenting as a spiritual journey, Rabbi Nancy Fuchs, Jewish Lights Publishing
:: Adília Belotti ::
A gente sabe tudo sobre educação de crianças, psicologia infantil, comportamento de adolescentes, não é? Está tudo ao alcance da mão. Basta um clique (literalmente) e um universo inacreditável de informações cai no nosso colo.
E lá ficamos nós, engolidos em perplexidade, perguntando: "Afinal, com tantos recursos, com tanta informação, por que a gente não acerta sempre? Por que temos essa sensação de que alguma coisa saiu errada?
Filmes como Kids (lembra desse?) ou como um outro que meu filho de 18 me fez assistir, "Réquiem" para um sonho, mostram crianças e jovens jogados em um mundo sempre muito escuro e do qual eles mal se dão conta, tão intoxicados pelas drogas e pelo escapismo mais brutal. Como foi que aqueles bebês risonhos cresceram para ficar assim? Onde foi que perdemos contato com eles?
Ninguém discute que somos todos bem-intencionadas criaturas que procuram dar o melhor para seus filhos. Então o que é que pode estar faltando? Para alguns estudiosos, a resposta é clara: no afã de prover os filhos com tanto conhecimento e tantos cursos, brinquedos, treinos, aparelhos, idiomas, os pais esqueceram de olhar para dentro de suas crianças e enxergá-las como verdadeiramente são: seres espirituais.
Nessa linha de pensamento, Mimi Doe, uma especialista em educação e autora de vários livros e de programas infantis não-violentos para a televisão, faz uma afirmação inspiradora: "A espiritualidade é a base a partir da qual nascem a auto-estima, os valores, a ética e a sensação de fazer parte de algo. É a espiritualidade que determina o sentido e o significado da vida". Bingo!
Outros estudiosos fazem eco. Spiritual Parenting (uma expressãozinha difícil de traduzir, mas que significaria algo como paternidade/maternidade espiritual), é uma idéia que abre muitas possibilidades e já aportou por essas nossas bandas, alguns textos publicados em português.
Peguei o livro de Mimi Doe para ler, confesso, com um pouco de desconfiança (detesto livros de fórmulas prontas, são um insulto para a nossa inteligência!).
Não fiquei nada decepcionada. Ao contrário, o livro é cheio de idéias para a gente resgatar o caráter sagrado dessa tarefa tão antiga que é criar filhos.
Houve um tempo em que nossos filhos eram nossa única garantia de imortalidade. Através deles, nos sentíamos projetados para o futuro, elos de uma cadeia sem fim. Os gestos repetidos, os ensinamentos, os exemplos, as histórias contadas, as receitas, as festas, as tradições, tudo era parte de um legado que transmitíamos às crianças, mas que, na verdade, não nos pertencia.
Os pais eram uma ponte entre o passado e o futuro. E criar filhos era transmitir a herança da espécie, da melhor forma possível, porque cada um dos nossos atos era apenas um movimento na grande dança do universo.
A proposta de Mimi é resgatar esse sentimento de que educar filhos pode ser, ainda hoje, um verdadeiro milagre. Não, não é nada esotérico, nem específico dessa ou daquela religião. Ao contrário, abrir um espaço para a espiritualidade na relação com as crianças é fazer coisas simples, como criar um ambiente agradável e receptivo na hora do jantar ou marcar um dia por mês para um "estar em família" diferente. Juntos, talvez você e ele se animem a aprender a meditar, a valorizar a bondade e a compaixão através das boas ações, a tirar da gaveta aquela idéia de participar de um projeto comunitário.
Uma outra idéia importante: deixar que nossos pequenos nos inspirem. Eles são naturalmente conectados com essa forma de espiritualidade. E se estivermos mais atentos, podemos aprender muito com a sua poderosa intuição.
Hugh Prather, um outro autor, confirma que essa é a primeira regra de ouro para quem quer se tornar um pai (ou mãe) mais espiritual: as crianças estão próximas de Deus e podem nos ajudar muito a encontrá-lo. Isso não quer dizer que elas não precisem de disciplina, de orientação ou de firmeza. Mas significa que ser pais não nos torna automaticamente sábios e que devemos ir com calma antes de achar que sabemos sempre o que é melhor para as crianças. Na verdade, nós apenas percorremos juntos a mesma estrada e fomos os escolhidos para a posição de guias não por sermos superiores, mas porque conhecemos melhor o mundo. Só por isso. Do ponto de vista de Deus, esse bebê que você segura com tanto cuidado, pode ser tão sábio quanto você, mesmo que seja sua a função de amamentá-lo e de cuidar dele até que ele possa fazer isso sozinho.
Vamos conversar mais sobre isso qualquer horinha, mas, por hoje, pincei algumas idéias do livro de Mimi Doe para compartilhar com você.
1. Deixe de lado os seus velhos programas de educação, os erros cometidos por seus pais, os "deveres" e "obrigações" que foram se infiltrando no seu jeito de educar. Você é você mesmo e seu filho é ele mesmo. Vocês dois foram reunidos por Deus por algum motivo. Acredite, você e seu pequeno foram, literalmente, feitos um para o outro.
2. Ensine seu filho a desenvolver a concentração no pensar. Use como exemplo uma lanterna ou um foco de luz cortando a escuridão. Os pensamentos dele são como esse raio de luz atravessando o universo, juntando e iluminando os seus desejos. Essa imagem vai ajudar seu filho a entender que nossos pensamentos podem provocar grandes mudanças na nossa vida.
3. Busque o maravilhoso fora do trivial. Celebre junto com seu filho os fatos admiráveis de cada dia. Invente rituais, motivos para celebrar, encha sua casa com música, dance, caminhe na chuva. Se faltarem idéias, tome emprestadas algumas fantasias de seu filho. Com certeza ele vai adorar compartilhar esses tesouros com você.
4. As palavras são importantes. Use-as com cuidado. Em geral, elas refletem nosso jeito de estar no mundo. Institua em sua casa a regra de não permitir rebaixamentos nem zombarias. O deboche é um meio seguro de arrasar o espírito.
5. Faça de cada dia um novo começo. Por pior que tenha sido o dia de hoje, amanhã é um novo dia e ninguém sabe ou pode garantir o que ele vai trazer. Dê de presente para seu filho um dia cheio de possibilidades, um dia sagrado. Um dia para ser saboreado minuto a minuto, intensamente.
Para saber mais:
10 princípios da paternidade espiritual, desenvolvendo a alma de seu filho, Mimi Doe com Marsha Walch, Editora Cultrix
Educar com amor, Hugh Prather, Edições Paulinas
Parenting as a spiritual journey, Rabbi Nancy Fuchs, Jewish Lights Publishing
Livre, Libre, Wild


Em meu tempo de menina pequena, e adolescente virei muitas curvas.
Andamos por muitos lugares, cidades, bairros, países.
Migrávamos conforme o desejo do meu pai em ir em frente, em busca de outras coisas, pessoas, novidades.
Minhas maiores lembranças são de caixas de papelão sendo preenchidas com todas nossas coisas.
Não criamos laços profundos com ninguém, mais do que com os nossos primos, primas, tios e tias, que íamos encontrando nessas andanças.
Ciclicamente todos os dezembros dessa época voltávamos à casa materna dele, onde todos nos encontrávamos para celebrar as datas.
Isso sempre era uma descoberta de re-conhecimento mútuo, sobre o quanto tínhamos mudado, crescido, apreendido nas andanças dos 12 meses antecedentes.
Pegávamos a estrada sempre de noite, e viajávamos mais de 15 horas seguidas, atravessando a fronteira entre nosso país e o dele.
A casa era festa.
E ao finalizar sempre batia a tristeza.

Claro que naquele então esse ir e vir, era interessante, divertido, o máximo para 2 meninas pequenas que nasceram nesse movimento incessante.
Eis por que eu nasci numa cidade, e minha irmã em outra, e minha mãe em outro país, e meu pai em outro também.
Éramos, somos, almas nômades.
Sim, muita coisa deixou de ser vivenciada por nós duas: o criar laços com amigos e chamá-los hoje de "amigos de infância", o manter namoros longos quando entrei na minha adolescência, o viver longe de familiares, até por que eles mesmos também se mantinham migrando.
Laços não eram nosso forte.
Nem apegos, nem lágrimas por estar partindo.
Disso obviamente muita coisa derivou em nosso hoje como mulheres adultas. Coisas boas e outras não tão boas.
Mas, há a lembrança de estradas percorridas, de pessoas perambulando nelas, como os grupos indígenas otavalenhos no Equador, com suas roupas lindamente coloridas, passando ao longo da estrada com suas crias amarradas nas costas, e no rosto uma feição plácida.
Nossas chegadas a muitas cidades grandes e pequenas, e nosso maravilhamento com a diversidade, que se descortinava com isso aos nossos olhos, e mentes.
E assim, e por isso, crescemos amando o diverso, o diferente, o exótico.
Lembranças das sombras das árvores em águas do rio Amazonas. Do medo às cobras que de noite cismavam em "pular" dessas árvores sobre os incautos.
A surpresa ao acordar ouvindo outros indígenas presenteando meu avó com jaguatiricas, tartarugas, ou o barulho louco dele correndo para afugentar a capivara que comia os ovos das galinhas...
O cheiro amoroso da garoa matutina, da humidade na terra ao sol nascer em pequenos povoados que nos encontravam dormindo ainda dentro do carro...Em plena cordilheira andina.
A possibilidade certíssima de olhar pela janela e dar com os olhos na neve, na montanha nevada ou com um vulcão que apavorava...
Sons distintos, culturas e línguas diferentes fizeram parte do meu crescimento, do meu tornar-me mulher jovem.
Disso tudo eu sinto falta.
Falta ao saber que minha cria não viu o que eu vi, vive de uma outra forma mais, por assim dizer, enraizada.
Por que dentre perdas e ganhos, eu gostaria imensamente que eles pudessem ter um pouco do que vi quando pequena, mesmo que seja um 10% daquilo tudo.
Eu sinto uma ausência, de imigrante, de nativa de outras terras, uma ausência-falta-vácuo quanto ao saber que, quiçá eles não percorram nunca as estradas pelas que passei...e vejam o que vimos.
Quiçá por isso sem intencionalidade, sem ter criado pautas, os criamos livres, com o conceito de saber-se livres para ir e vir, de fazer suas escolhas...
Mesmo que digam que são muito novos para que lhes falemos disso, o fazemos.
Mesmo que meu marido não seja nômade como eu.
Mesmo que ele tenha crescido nesta Ilha, em família "convencional".
Temos eu e ele a mesma alma, o mesmo espírito do desapego e da liberdade.
E ao mesmo tempo se repete hoje em meu lar por mim formado, algo que era no meu nascido: o viver satisfatoriamente em 4, sendo o suficiente para os 4 isso.
Temos o mundo que nos cerca, temos hoje, para eles, uma família "fixa e tradicional: a paterna", temos nossa casa, claro, mas somos diferentes dos demais, dentro do núcleo social, por ser bem satisfeitos em contar para o que for com nós 4.
Não que sejamos auto-suficientes, nada disso, seria muito peremptorio e egóico. Mas sim podemos passar dias, uma semana toda sem ter que depender de nada externo.
Em suma, a saudade de otros tempos, não diria melhores, mas sim fartos, inspirou hoje esta Bruja en su Casa.

Espero Alícia e Felipe, que aproveitem ao máximo esse maravilhoso mundo novo que se abre para ambos a cada amanhecer!
(Originalmente publicado em 21/02/09 no Germinando)
Besos,
Luciana




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