27 de fevereiro de 2011

A Descoberta da Diferença


Há um momento na vida de qualquer criança em que a visa social acaba tomando no mundo interior dela, uma dimensão maior que a família, e não por acaso é esse mesmo período o da educação pré-escolar, quando os pequenos começam a entrar na escola. É nesse momento também que as crianças começam a entender que o mundo é repleto de possibilidades e começam a ver aquilo que depois começarão a se perguntar com relação às escolhas e as consequências para uma escolha. 

Como professor uma das coisas que observo nessas turmas é a importância dos hábitos na formação da criança, e no âmbito da escola infantil, o peso que têm os hábitos religiosos das tradições majoritárias. Fico muito preocupado em pensar que o meu esforço doméstico, como pai, para dar ao meu filho não só a oportunidade de continuar na minha vivência religiosa, mas também de conhecer visões de mundo com orientações religiosas diferentes da minha pode ser sublimada pelos hábitos sedados das maiorias que no cotidiano se repetem constantemente. 

Não falo apenas dos hábitos especificamente religiosos, mas também daquilo que cerca a orientação religiosa de alguém, tais como vestuário, alimentação, contagem do tempo, explicações para o mundo. E a minha liberdade religiosa, onde está?

Acredito que um dos grandes dilemas do estado laico é compreendê-lo, e de onde eu enxergo os fatos acredito que entendê-lo significa abdicar de toda forma de representação, ou seja, não se pretende trocar o deles pelo nosso, mas sim de não ter. Estamos preparados para o estado laico? Há a possibilidade de um estado laico? 

11 comentários:

Vivi disse...

Osho tem um livro mto interessante sobre como ensinar religiosidade para os filhos. uma das coisas que ele fala é esperar a própria criança perguntar, ter a curiosidade natural. e não impor. vc faz suas práticas diárias ou rituais públicos e não veda o acesso às crianças (qdo isso é possível). e naturalmente ela vai perguntar.
como quando um casal é separado e os filhos naturalmente perguntam: pq o pai do meu amiguinho mora com ele e o meu não?
a pergunta do pq sou diferente vem inevitavelmente.

Mary disse...

Que interessante!Eu ia justamente comentar isso agora: aqui em casa,eu sou pagã e meu marido é adepto ao espiritismo,eu poderia sem sombra de dúvida já doutrinando ele de acordo com o que aprendi,mas não,não imponho,ele vê minhas práticas e quando tem alguma dúvida ou quer saber algo mais,aproveito o gancho e oriento da melhor forma possível e também de acordo com sua idade..é bom saber que de alguma forma tem dado certo...acredito que no momento certo ela vai fazer sua própria escolha!

marANNA disse...

https://lh6.googleusercontent.com/-CR5CMOuyyis/TXrDmVGyu9I/AAAAAAAAAaA/MAaKcQ9R6Js/s1600/untitled.bmp

Queria oferecer esse selo ao "Crianças Pagãs".
^^

Ju disse...

Sobre o estado laico, acredito que é preciso acreditar tanto no ser humano quanto em Deus. Acho que é por isso que é tão difícil praticar
o laicismo. Queremos confiar o leme de nossa moral em uma entidade e esquecemos que esse trabalho é majoritariamente nosso, afinal existe o livre-arbítrio. Conviver com ateus fez com que eu passasse a ver a doutrina que professo, o espiritismo, de outra maneira. Quando eu perguntei para um ateu convicto, e por sinal uma das pessoas mais equilibradas que eu conheço, em que ele acreditava se não era em Deus e ele me respondeu: "no Ser Humano" aquilo me impactou bastante. Nunca havia pensado daquela maneira apesar de hoje parecer até bem obvio :) Tenho uma filha de 10 anos e repito a ela sempre que ter essa, aquela ou nenhuma religião é escolha pessoal. Em minha casa tenho a bíblia catolica, o talmude e a torá, o alcorão, livros de filosofia, todos ao lado do pentateuco espírita. Tenho inclusive alguns livros com críticas que eu considero bem embasadas e lúcidas acerca de religiões - apesar de não concordar com elas, porque religião sem senso
crítico é fanatismo. Minha filha me vê lendo todos. Converso com ela também sobre paganismo apesar de não ter um livro central. Tudo
dentro do meu entender, que é limitado. O carro chefe da educação e da vivência é o respeito, o resto são as cores que nós damos na
dicotomia individualizar-pertencer. A política pode muito bem pairar sobre tudo isso se caminhar com o respeito.

([säm]) disse...

O sonho de ter uma família pagã é algo difícil de realizar hoje em dia. Vc sonha em poder oferecer aos seus filhos os ritos de passagem que embasarão e marcarão as mudanças em sua vida e em sua alma.

Sonha em poder celebrar livremente debaixo das árvores, no alto das montanhas, nas praias etc...e ter sua religião reconhecida no trabalho, na sua família cristã, pelos vizinhos etc.

É um trabalho duro que esbarra no lívre arbítrio dos outros mesmo. Mas talvez pq o conceito de "família" seja algo obsoleto hj em dia....talvez família devesse ser algo mais abrangente...indo além do sangue

Luciana Onofre disse...

um selo "bruxo" para ti aqui:

http://caldeiroescriasemagia.blogspot.com/

Elaine Figueira disse...

Oi. Estava voando por aqui e achei seu blog lindo!

Sou wiccan, autoiniciada há 10 anos e criei meu filho (hoje com 20 anos) no paganismo.

Acredito que ele seja umas das primeiras crianças pagãs não é?

Abraços,

Elaine

Nadja disse...

To com saudades dos posts!!!! espero que venha um por aí em breve :D

Nadja

Rapha, mãe da Alice disse...

Voltem!!!

Elaine Figueira disse...

Sou bruxa wicca e gosto muito do seu blog. Convido você a visitar o meu. wwwlarencantado.blogspot.com

abçs

3 Fases da Lua disse...

muito rico o seu texto.

voltarei outras vzs para visita lo

estou convidando vc a fazer uma visita ao meu blog.

e ja estou seguindo vc

http://3fasesdalua.blogspot.com/