6 de setembro de 2010

Lidando com a Morte na infância

Há algumas semanas, perdi minha gatinha, minha linda e doce gatinha. Ela foi envenenada... Pode parecer idiota, mas tem sido difícil lidar com a morte dela, mesmo que eu saiba que “ela continua do lado de lá”, dói bastante, não pude aproveitar a presença dela o quanto eu queria, não pude cuidar dela tanto quando eu queria... Nossa convivência foi muito breve, mas foi suficiente para eu amá-la imensamente.

E é muito difícil não só por isso, mas porque ela demonstrava o mesmo carinho e amor por mim... Talvez até mais. Ela entendia o que eu falava com ela mentalmente, ela fazia gracinhas pra me deixar feliz quando percebia que eu estava triste, entre outras coisas... A morte dela foi mesmo um golpe. Eu não a considerava apenas uma gatinha bonita e peludinha... A alma dela ficava evidente em cada gesto... Ela gostava de abraçar. Enfim...


Isso me fez pensar em quando meus animais morreram durante minha infância e em como eu (não) lidava com isso. Coisas como pedir a deus que me levasse no lugar do bichinho, pois ele merecia mais viver do que eu. Posso não fazer mais tal pedido, mas até mantenho esse pensamento... Em geral, os animaizinhos são tão bons e bonitos, não fazem as coisas por maldade (generalizando), não deveriam sofrer... E crianças também não, mesmo sendo adultos em espírito, mas enfim...


Os duros golpes na infância, perder os animais em que eu me apegava, me fizeram ficar afastada dos bichos... Eu, como criança, preferi ficar sem me apegar a eles para evitar o sofrimento da perda. Com a gatinha, foi algo imediato e que eu não consegui evitar...

Há umas semanas, pouco antes dela partir, assisti o filme A Cidade dos Anjos e isso me influenciou, claro, junto com a minha vivência dos últimos anos, entre minha infância e o agora. Influenciou no preferir a curta convivência com a dor da perda do que a não convivência sem o carinho, o toque e a vivência. Isso fez mudar um pouco minha maneira de lidar com a morte...


Mas o que quero expor afinal de tudo isso é que me senti de novo aquela criança de anos atrás tentando entender porque um animalzinho tão lindo, tão bom e inocente tinha ido embora e me largado aqui. Vi-me criança, chorando, parada a minha frente e perguntando pra mim, hoje, adulta: “Por que isso? Ela era tão linda e boa, tão carinhosa... Por quê?” e respondi a ela “Porque ela era uma gatinha tão carinhosa e boa que os deuses a queriam ao seu lado, queriam também ter todo esse carinho”. Então a criança foi parando de chorar aos poucos e me abraçou. Então eu parei de chorar aos poucos e me senti abraçada.


E parei e pensei em como esse simples pensamento fez bem, mesmo que talvez fosse e seja ainda infantil. Isso me acalma um pouco e não faz parecer algo absurdamente injusto. E parei e pensei que vou usar isso com meus filhos... Acho uma boa forma de acalmar o coraçãozinho da criança que se sente injustiçada com a tal perda.


Pode ser um pensamento infantil. Mas infância é tudo que queremos... E é bonito.

 


Beijos,
Sophia.

9 comentários:

Ghi disse...

Muito triste a sua perda. Mas lindo como lidou com isso. Vou me lembrar disso sempre!!! =D
Beijo

Rô Rezende disse...

Nossa, também vou usar muito isso, inclusive para mim mesma. Sinto pela sua perda, os animais são apaixonantes, mas os gatos são ainda mais cativantes.

Que a gatinha vá para o outro lado em paz!

Rapha da Alice disse...

Muito bom o blog! to seguindo!

Consultora Educacional disse...

Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver nosso Curso de Informática Online. Melissa.

Deiah disse...

Sophia amei sua identificação com sua criança interior "infantilidade"... sempre fui muito apegada aos meus animais de estimação, embora minha alma de criança tenha os conhecido dps de adulta, me identifiquei dmais com tua postagem, e hj sou mãe de um bebê de 8 meses...e tenho uma gata linda chamada Odara que veio para me ajudar com a perda da kITARA...Até hoje inesquecível, amei teu blog...sou taróloga, catolica wicanna, tenho um blog sobre tarot e estou buscando sempre alternativas em como lidar com o meu baby em relação ao paganismo de forma natural, amei o acaso de hoje, tens uma alma lindaaaaaaaaaaa...agradecida gata garota!!!Bjs de Luz e Harmonia

Filha do Mar disse...

ola sophia. adicionei seu blog pois considero-o bastante interessante. até breve.

Strega Mamma disse...

Olá ! Este cantinho é tão especial que já o linkei no meu. Espero com um delicioso chá a visitinha de você, e se gostarem e quiserem linkar o nosso aosseus favoritos ficaremos felizes ! Beijos e bênçãos !

Elaine disse...

Oh! Senhora! Que blog lindo! pena que meu filho cresceu! Hoje ele é um moço, mas foi criado no paganismo, graças aos Deuses. Meu nome é Elaine (civil) Serena Bellatrix. Tenho blog e procuro seguir minhas irmãs bruxas.

Adorei,

Elaine

Urania disse...

Belo texto, de coração, lidar com a morte na infância é algo que nos envolve a vida inteira, abraços e luz!