8 de janeiro de 2009

Crianças politeístas helênicas

Tenho uma amiga-irmã que vocês conhecem que é casada e tem dois filhos. Ela tem uma afeição pelo panteão celta, assim como seu marido, mas suas crianças são totalmente apaixonadas pelos deuses gregos. Por causa disso, eu costumo dizer que eles são meus, hehehe. (OK, considerem que vou abstrair por ora o fato de a mais velha ter uma queda pelos romanos.) Há alguns meses atrás, eu lhes dei um par de bustos de Apolo e Artemis para que eles os colocassem em seus altares. A menina tem agora 8 anos de idade e gosta de Afrodite e Ártemis, o menino tem 4 anos e gosta de Zeus e Apolo. Ele diz que Zeus é seu pai e Apolo seu irmão.

Mês passado, minha amiga me disse que a filha havia visto um jovem (meio adolescente) com cabelo escuro, roupas gregas e asas nas costas, voando do seu quarto quando ela acordou. Ela não sabia quem era, primeiro - quando me contaram do vôo - pensei em Eros ou Hermes, mas quando descreveram as outras características, concluímos que deveria ser Eros. Imaginei que ele estava tipo que tomando conta dela para Afrodite, porque eu não sinto como se ela estivesse pronta para Afrodite ainda, não sei, ela ainda um tanto "Ártemis demais", se posso dizer assim. Minha amiga costumava assistir Xena quando estava grávida dela, hehehe. Ela tem uma tia que é devota de Afrodite, mas mora em outra cidade; não sei o quanto ela poderia tê-la influenciado, minha amiga diz que isso não partiu da sua irmã, que foi completamente escolha da menina.

Semana passada, o menino fez um desenho de Zeus, muito fofo, com tinta dourada em um papel púrpura. Eles não sabiam que a cor púrpura era a cor de Zeus, então fiquei impressionada com seu conhecimento natural disso. Na verdade, não foi a primeira vez que me impressionei com as percepções dele com relação aos deuses gregos, especialmente porque seus pais estavam bastante perdidos com relação a isso quando eu entrei na vida deles, eles realmente não sabiam quase nada sobre o panteão e religião gregos.

Anteontem eu fui lá e minha amiga me disse que sua mãe cristã estava na ciade e, vendo-os doentes, disse a eles que isso era "falta de Deus", ao que o mais novo respondeu "acho que não, vó; há vários deuses aqui". Huahua! E ele continuou: "só a minha irmã ainda não tem um deus homem ainda", porque ele manteve os dois bustos de Apolo e Ártemis em seu altar (além da estatueta de Zeus que ele já tinha), mas ela ainda tem apenas figuras femininas no dela.

Quando era época do natal cristão, eles receberam cartões da escola, e a mais velha estava me contando que "eles me mandam cartões de natal de uma religião que não é a minha!". Eu sempre me divirto com as coisas que eles dizem. O garoto já perguntou à sua mãe se existiam mais "pessoas como nós". É como se fôssemos uma espécie de ETs ou algo assim, por cultuar os deuses.

Minha amiga me contou que a menina viu Eros mais outras duas vezes depois daquela.

Estou pensando seriamente em fazer um ritual de "Onomatodosia" (imposição de nomes, uma espécie de batismo no helenismo) com essas crianças... Só não tenho certeza de quando, ainda que pareça que elas já saibam quem são seus deuses patronos.

Ah, e sim, essa minha amiga é a Luciana, dona deste espaço blogueiro. ;D


5 comentários:

Luciana Onofre disse...

creio que postarei aqui depois a "arte dele"!

para mim não há nada mais sagrado do que vê-los sentindo o sagrado de forma tão simples e ao mesmo tempo tão forte!

Quimera disse...

Quando Lú me contou da visão de Ali também achei que fosse Hermes hihihi...

Sobre as percepções, eu acredito que eles tenham essa percepção natural pelo fato das crianças estarem mais propícias ao "lado de lá". São mais sensitivas, intuitivas, etc...

Beijosss

Luciana Onofre disse...

São como Siu diz, crianças 'parabólicas", no bom sentido claro...
Por exemplo: Alícia vibra com minhas amizades virtuais, e as sente como pessoas que já viu, com quem convive diariamente.
Criou amor por algumas das minhas amigas, como Daniela, Kel...Sem jamais ter visto in loco, mas ama, vibra ao ver as fotos, ao ler as cartas...
Felipe vê o mundo da forma dele, ele é prático, lógico-matemático, e muito sensível, e não vê diferença alguma entre o valor da palavra do adulto e a dele, criança. Para ele ambas possuem o mesmo peso: devem ser respeitadas igualmente....

Quimera disse...

Concordo com Felipe!
Palavras são valiosas... E tem uma força enorme.
Sejam elas ditas por crianças ou por adultos!
Beijocas

siusi disse...

assino embaixo do q Felipe diz, afinal o q será o futuro da palavra.
salve o quinto raio verde da verdade e da cura, que ele siga chamejando.